domingo, 25 de fevereiro de 2018

Relatório DiBolso XV - Cath Gomes

EBA 140 ANOS: E AGORA?
Iniciamos o semestre realizando experimentações com materiais diversos, sendo o papel carbono o primeiro utilizado. O carbono, disponibilizado à turma em cores variadas (como preto, azul, amarelo), foi trabalhado coletivamente em sala de aula para a criação de texturas aleatórias em papel sulfite A3 branco. As texturas foram geradas por meio de técnicas como decalque ou pressão, utilizando para isso fotos, recortes de frases ou palavras, retalhos, panos, pedras. Ao fim desta atividade, as folhas A3 foram cortadas no tamanho A5 e distribuídas para cada componente da turma, no intuito de serem aproveitadas para a confecção individual dos Livros de Arteiro.

Após esse contato inicial, passamos a trabalhar, em seguida, com carimbos. Em um primeiro momento, fizemos testes em sala de aula com carimbos de palavras pré-desenvolvidos pelo professor, sorteando-as e carimbando-as aleatoriamente ou no intuito de gerar frases ou mensagens que se relacionassem com a faculdade de Artes e com a atual crise política no Brasil, em papel couchê A5 (folhetos reutilizados) e também em nossos Livros de Arteiro, para registro pessoal. Logo após esse teste, partimos para a fabricação de nossos próprios carimbos, começando pela construção de uma caixa personalizada, a ser utilizada com o objetivo de armazenar esses carimbos. Essa caixa foi desenvolvida com reaproveitamento de papelão e papietagem (alguns estudantes fizeram uma posterior personalização, com pintura, colagem de tecido, adesivagem). Para a confecção dos carimbos, utilizamos materiais como EVA, isopor, madeira, linóleo, rolha, e criamos palavras e símbolos que tivessem relação com a temática a ser desenvolvida ao longo do curso nesse semestre, “EBA 140 anos: E agora?”, uma reflexão crítica sobre a atual situação da Universidade em um contexto de crise. Esses carimbos foram compartilhados e trabalhados coletivamente, sendo material essencial utilizado para a produção da exposição Dispersamente.

Para a Dispersamente, pensamos inicialmente em trabalhar apenas com carimbos, utilizando como suporte o papel couchê do fundo de folhetos reaproveitados, mas à medida que íamos experimentando e desenvolvendo, tanto em casa como em sala de aula, surgiu a ideia de confeccionarmos também aviões de papel (ideia proposta por um colega). Esses aviões se tornariam o elemento principal da exposição, que ocorreria nos muros externos da Escola de Belas Artes (EBA) e que recebeu o nome Dispersamente após um longo processo de brainstorm coletivo em sala.

Após o trabalho com a Dispersamente, partimos para a concepção da publicação crítica coletiva DiBolso, em sua décima quinta edição. Iniciamos realizando um mapeamento de nossos trabalhos, habilidades e expectativas, através de um portfólio e um mapa de referências. Esses dois recursos permitiram que exaltássemos aquilo que mais fazia parte de nosso universo artístico, permitindo associarmos, da melhor maneira possível, ao projeto a ser executado nesta edição da DiBolso. Com o tema principal “EBA 140 anos: E agora?” e o sub-tema “Castelo de Cartas Marcadas”, a edição desse semestre da DiBolso busca concatenar o que cada estudante no curso pensa sobre o atual estado de crise no Brasil e o papel da Universidade e do corpo discente perante esta situação.

A DiBolso propôs aos estudantes um trabalho utilizando como material de suporte cartas de baralho. Era necessário criar um projeto que, além de contemplar o tema estipulado, pudesse ser executado de maneira a gerar duzentas unidades integrantes para a DiBolso. Especificamente, a minha carta tratava do corte no investimento na Universidade, principalmente, nas Artes, e eu utilizei como recursos a ilustração digital (infogravura) e a impressão em papel adesivo.

Paralelo a isso tudo, desenvolvemos este relatório de conclusão e o Livro de Arteiro, que funcionou como registro dos processos que desenvolvemos ao longo deste semestre, de testes e para anotação de quaisquer ideias ou estudos que desenvolvemos ao longo do curso. Com certeza, todas essas experiências trouxeram grande evolução em meus processos como artista e trouxe para mim a importância de se experimentar, de se conhecer o próprio percurso e o próprio trabalho para a execução de um projeto. Com os carimbos, eu pude me desafiar, confeccionando de maneira simples objetos que me permitiram reproduzir facilmente desenhos e ideias. A DiBolso foi igualmente uma experiência enriquecedora, mostrando a importância do trabalho em equipe, coletividade, do respeito ao próximo.

Disponível em: https://drive.google.com/file/d/1HIvmkqtGGr1WUMCXiRLCJ85xT2yZQOUQ/view

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